Multas de trânsito mostram que carrões do Careca do INSS rodaram mesmo após restrição de circulação; defesa recorre ao STF contra proibição
O empresário e lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, circulou com carros de luxo em São Paulo e em Brasília, mesmo após restrições judiciais que foram impostas no âmbito da primeira fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril.
Registros obtidos pela coluna revelam que o Careca do INSS levou seis multas após a operação, visitou uma concessionária de carros de luxo e até foi parado em uma blitz na capital paulista. Os veículos, no entanto, já estavam sob restrição de circulação, segundo dados confirmados pela coluna em sistema da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
O lobista é apontado como um dos principais operadores da Farra do INSS, esquema criminoso revelado pelo Metrópoles. Ele prestou depoimento nessa quinta-feira (25/9), na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, e afirmou ser inocente.
Um dos carros dele, um Mercedes Benz AMG, avaliado em R$ 498 mil, recebeu cinco multas, sendo que três infrações foram todas aplicadas no mesmo dia, 30 de maio, em São Paulo, por transitar acima do limite de velocidade. Ele já havia sido multado por excesso de velocidade quatro dias antes, com o mesmo veículo. Já a outra infração foi registrada na Asa Sul, em Brasília, por estacionar em local proibido.
Uma sexta multa foi aplicada sobre um Porsche 911 Carrera GTS, avaliado em R$ 986 mil. Nesse caso, Antonio Antunes acabou autuado porque o carro circulou em São Paulo durante horário não permitido pelo rodízio de veículos.
Além das multas, a coluna teve acesso a uma foto de outro Porsche 911 Carrera GTS, que também está em nome do Careca do INSS, estacionado em frente a uma concessionária de carros de luxo, a Aielo Motors, em São Paulo. A loja é muito utilizada por ele para compra e venda de veículos. O registro data do dia 27 de maio.

O que diz a defesa do Careca do INSS sobre uso de carros proibidos de circularem
Questionada pela coluna, a defesa de Antonio Antunes explicou que a ordem judicial do Tribunal Regional Federal da 6ª Região do dia 23 de abril não tratou sobre proibição de circulação dos carros, mas apenas do bloqueio de bens.
Nesse sentido, alega que “algum agente do Detran” inseriu a restrição de circulação dos veículos no sistema da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatram), sem que esse pedido constasse na decisão judicial.
Ainda segundo a defesa, o Careca do INSS só descobriu que seus carros estavam proibidos de circular após ele ter sido parado em uma blitz, em 5 de julho deste ano. Na ocasião, Antonio Antunes teve seu Mercedes-Benz apreendido.
Após essa data, afirma o advogado, Antonio Antunes não mais rodou com os veículos, cumprindo assim a restrição de circulação dos carros de luxo.



















