ALPB realiza Jornada Márcia Barbosa e reforça debate sobre feminicídio, violência contra a mulher e imunidade parlamentar

A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) realizou, nesta terça-feira (16), a Jornada Márcia Barbosa – Reflexão e Sensibilização sobre Feminicídio, Violência contra a Mulher e Imunidade Parlamentar. O evento reuniu representantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, integrantes do sistema de Justiça, organismos internacionais, movimentos sociais e familiares de Márcia Barbosa de Souza para discutir estratégias de enfrentamento à violência de gênero, fortalecimento das garantias de proteção às mulheres e ampliação do acesso à Justiça.

Representando o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Adriano Galdino, a deputada estadual Cida Ramos destacou o caráter simbólico e reparador da iniciativa. “O povo brasileiro, e em especial o paraibano, é avesso à injustiça, à discriminação, ao preconceito, à violência e ao feminicídio. A sessão de hoje na Assembleia Legislativa possui um caráter simbólico, trata-se de um ato de reconhecimento e reparação. A história de Márcia Barbosa de Souza não representa apenas um caso emblemático de feminicídio, mas tornou-se um símbolo das múltiplas formas de violência estrutural sofridas diariamente pelas brasileiras”, afirmou.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, ressaltou que a realização da jornada atende à sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos e representa um reconhecimento público das falhas cometidas pelo Estado brasileiro. “Comparecemos a este ato para dar cumprimento à sentença e reconhecer, publicamente, que falhamos com Márcia Barbosa de Souza, com seus familiares e com o sistema de justiça. Márcia era uma jovem negra, estudante paraibana de 20 anos, cujo futuro foi interrompido por um assassinato em 1998. O autor do crime valeu-se indevidamente da imunidade parlamentar como um escudo”, declarou.

Já a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, enfatizou que a jornada representa um compromisso coletivo com a justiça e a defesa dos direitos humanos. “Nos reunimos hoje não apenas para rememorar uma vida tragicamente interrompida pela violência, mas para reafirmar nosso compromisso coletivo com a justiça, a igualdade e a proteção dos direitos humanos. A Jornada Márcia Barbosa configura-se como um espaço de memória, reflexão e mobilização”, destacou.

A ministra afirmou que o caso revelou falhas institucionais que dificultaram o acesso à Justiça e evidenciou como preconceitos de gênero e raça podem influenciar a atuação estatal diante da violência contra a mulher. Ela também defendeu que o debate sobre imunidade parlamentar seja compreendido como um instrumento de aperfeiçoamento democrático, preservando as prerrogativas parlamentares sem permitir que sejam utilizadas para impedir a responsabilização criminal.

Durante a solenidade, a deputada Camila Toscano ressaltou o trabalho desenvolvido pela Assembleia Legislativa em defesa das mulheres paraibanas e destacou a necessidade de reconhecer erros do passado. “Esta instituição tem se empenhado significativamente na defesa das mulheres paraibanas. Contudo, nosso dever não se limita ao presente. Devemos também assumir a responsabilidade pelas injustiças cometidas por este Poder no passado, reconhecendo erros para assegurar que não se repitam”, afirmou.

O subprocurador-geral da República e coordenador da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, Paulo Thadeu Gomes da Silva, destacou que o caso Márcia Barbosa continua sendo um marco para reflexão sobre a atuação das instituições públicas. “A sentença da Corte Interamericana reconheceu a responsabilidade internacional do Estado brasileiro pela falta de diligência na investigação, pela violação do prazo razoável e pelo caráter discriminatório de gênero e raça. Quando uma investigação desloca o foco do agressor para a vida íntima da vítima, ela deixa de produzir justiça e passa a reproduzir violência institucional”, observou.

A programação também contou com a participação dos pais de Márcia Barbosa de Souza, Marineide Barbosa de Souza e Severino de Souza, que acompanharam as atividades da jornada.

Também estavam presentes compondo a mesa os deputados estaduais Chió, Aledson Moura e Dra. Paula; a defensora pública-geral da Paraíba, Maria Madalena Abrantes Silva; o procurador-geral de Justiça da Paraíba, Leonardo Quintans Coutinho; a juíza coordenadora da Violência Doméstica do Tribunal de Justiça da Paraíba, Graziela Queiroga; a secretária de Estado da Mulher e da Diversidade Humana, Wanda Menezes; a representante da OAB-PB, Renata Quintans; a representante do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (GAJOP), Edna Jatobá; e a representante do Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL), Helena Rocha.

A Jornada Márcia Barbosa terá continuidade durante a tarde, com palestras e debates voltados à reflexão sobre feminicídio, violência contra a mulher, racismo estrutural, acesso à Justiça e o papel das instituições democráticas na prevenção e enfrentamento das violações de direitos humanos. A iniciativa integra as medidas de reparação e memória previstas no Ponto Resolutivo nº 10 da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Barbosa de Souza e outros vs. Brasil.

WhatsApp
Facebook
Twitter
Email
X
PORTAL RÁDIO FM CIDADE 104,9
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.